Mandala Namaskar e Shakti Mantras por Dakshina

Uma reflexão sobre Dakshina,
a tradição de aulas de Yoga por doação 

O que é estar transbordando de sat-chit-ananda (verdadeira plenitude) a tal ponto, que compartilhar se torna quase uma necessidade nessa matemática espantosa em que quanto mais verdadeiramente uma pessoa se dá à vida, mais plena se torna?

Essa foi a minha primeira descoberta na pele e no dharma (caminho) de yogini pra valer. Quando me mudei para a Índia após minhas primeiras formações no ocidente, pedi duas coisas à vida na certeza de que viriam: bons mestres e que eu pudesse aprender o que eles me transmitissem.

Minha querida mestra apareceu logo. Mataji, a grande Mãe de voz doce e olhos brilhantes.

Ao contrário do que imaginava, Mataji não tinha somente kriyas (purificações), pranayamas (exercícios respiratórtos) e os mantras maravilhosos dos Vedas para compartilhar. Seu trabalho foi me fazer descobrir qual o único e verdadeiro mestre em meu coração e no coração de cada ser que encontrasse.

Logo me tornei parte da equipe de professores do ashram, e ali começava meu sabático, onde conheci a arte de gurudakshina, ou a relação de troca entre um chela (aprendiz) e um guru (mestre).

É um costume na tradição do Yoga que o aprendiz deve sempre levar algo em troca do aprendizado que recebe. Ou seja, não vamos a um mestre de mãos vazias e não abusamos desta confiança.

Na entrada da sala de Yoga havia uma grande urna onde as pessoas podiam doar o que achassem justo e correto pela prática e todas as doações que recebíamos dos alunos eram destinadas aos projetos sociais e à manutenção do ashram.
Assim, tive acesso à plenitude do desapego, pois como Kharma yogini (voluntária), mesmo que eu tivesse um aluno, dois ou 40, meu trabalho não era um meio para “pagar as contas” e meu sustento não dependia disso.

Às vezes, alunos traziam seus dakshinas também de outras formas, como desenhos, livros e músicas, que contribuíam ao meu aprendizado nesta relação em que somos todos mestres e alunos uns dos outros.

Mataji sempre me levava à seguinte reflexão: para que estamos aqui, nós yoginis e yogis, afinal? O Yoga é uma revolução interna que só se faz verdadeira se for do indivíduo (microcosmo) ao Todo. É uma revolução que, como diz o professor Hermógenes, pede que despertemos em nós mesmos entrega, confiança, aceitação e gratidão, de verdade. 

É nesse espírito de “entrego, confio, aceito e agradeço” que vários professores aqui em São Paulo têm feito o movimento para que mais pessoas possam ter acesso às práticas de Yoga, abrindo suas aulas por doação, ou como tradicionalmente na Índia, no princípio de dakshina. 

Para mim, além de ser um meio de convidar cada praticante a ser live e responsável por retribuir com o que verdadeiramente puder pagar e considerar justo pela prática, é uma maneira de nos tornarmos todos corresponsáveis por despertar em nossa ética esses valores essenciais de “entrego, confio, aceito e agradeço”.

O estúdio YogaFlow/CIYMAM tem apoiado essa iniciativa e te convida para a próxima aula por Dakshina no próximo sábado, dia 12 de maio, celebrando o tema Mandala Namaskar e Shakti Mantras, fluindo nas 4 direções em Vinyasa Flow Yoga.

Para mais detalhes abaixo.

Alegria e Amor a todos!
Namaste

Esta publicação foi postada por parmatmacris.

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